Quantos tipos de flocos de neve você conhece? Até então eu achava que neve era neve e ponto final. Mas não, existe neve e neve e as coisas não são tão simples assim. O sub-produto do inverno aqui no norte pode variar durante o dia inúmeras vezes e pior, pode acabar em chuva.
Conversando com uma fornecedora pelo telefone eu disse: está caindo a neve mais linda que já vi. Aí ela perguntou: São aqueles flocos gordinhos, macios e sequinhos? Você consegue imaginar um floco de neve gordo, macio e seco? Pois então, não era este naquele momento; eram flocos pequenos, planos e esvoaçantes (caspa para ser mais rasteiro). Fiquei horas olhando para aquele espetáculo que transmitia uma paz sem igual, um silêncio branco...
Resolvi sair e degustar o floco para também saber a diferença do mesmo na língua. Bastou o tempo de me “embrulhar” da cabeça aos pés com camadas e mais camadas de roupa para chegar lá fora e perceber que o floco já tinha mudado para um tipo translúcido, iridescente e multidirecional. Este floco parecia não cair no chão. Um tipo de floco que migrava sem destino (sem gosto também). Com o termometro marcando 19F (-7.2C) resolvi voltar para o aquecimento, pois não dava pra ficar tomando sopa de neve.
Vale falar da confusão de “põe-tira-põe” roupa. Já na garagem, mas ainda fora de casa, você deve se sacudir inteiro (como se fosse um cachorro que acabou de tomar banho) para tirar o excesso de neve antes que derreta. Dentro de casa, tem de tirar as botas pois o sal que eles espalham nas ruas detona com o piso (seja madeira, carpete ou pedra). Deve deixar tudo secando (jaqueta, calca, bota, luvas, gorro, cachecol).
Uma vez desenpacotado, olho pela janela e percebo que o “floco-caspa” tinha retornado mas não ia voltar lá só para saber o gosto dele. Fiquei apenas admirando o brancor da paisagem. Comecei a imaginar que alguém tinha me encolhido ao ponto que estava dentro de uma casa, que faz parte da decoração de um gigantesco bolo de noiva. Todo aquele açúcar de confeitar lá fora. Deus é na verdade um confeiteiro, e dá-lhe açúcar! Tem hora que a camada fica tão grossa, que parece “fondant” (aquela coisa branca que cobre bombom de uva da padaria da esquina).
Ligo o canal do tempo e começam as previsões de quantas polegadas de neve vão cair hoje. Felizmente o açúcar ta racionado. Sim, felizmente. Caso contrário, no dia que não rola economia doce, só pra sair de casa você gasta de 10 a 15 minutos limpando a barra! Tem de tirar todo o “fondant” antes de tirar o carro da garagem. Snow Blower! Um brinquedinho que mais parece um cortador de grama – revolve, aspira, tritura e cospe de lado a cobertura do bolo. Agora, se a coisa ficar preta mesmo, não tem snow blower que resolva. Dependendo da espessura da camada, vai ter de retirar a neve no muque. A imagem é mais ou menos esta: você todo empacotado, enterrado pra cima dos joelhos no açúcarel, cavando freneticamente para 1) produzir calor e 2) abrir caminho na neve (a ordem é esta mesmo – que se dane o carro, você quer é ficar aquecido).
Além de floco gordo, floco seco, floco caspa e outros mais, você ainda tem de se preocupar com os “icicles”. Estalactites de gelo que se penduram em “tudo quanto é lugar”. Bonitinhos a princípio, mas estas coisas podem ser bem perigosas. Se crescem demais, a “criança” pode cair na sua cabeça como uma adaga. Se não cai na sua cabeça cai sobre o carro ou em outro lugar, mas vai cair com certeza e fazer algum estrago. Toda borda de casa/prédio tem um; um monte! E se esquentar um pouquinho, começa a pingação. Uma chatice!
OK, chega de falar de neve, até mesmo porque os flocos gordos, macios e sequinhos estão de volta e vou correr pra ver se como algum.

Fondant

Icicles